quarta-feira, 21 de outubro de 2020

MINUTOS DE SABEDORIA #13

 


📷 via Google


Poema didático

Já tive um país pequeno,
tão pequeno
que andava descalço dentro de mim.
Um país tão magro
que no seu firmamento
não cabia senão uma estrela menina,
tão tímida e delicada
que só por dentro brilhava.

Eu tive um país
escrito sem maiúscula.
Não tinha fundos
para pagar a um herói.
Não tinha panos
para costurar bandeira.
Nem solenidade
para entoar um hino.

Mas tinha pão e esperança
para os viventes
e sonhos para os nascentes.

Eu tive um país pequeno,
tão pequeno
que não cabia no mundo.

Mia Couto

domingo, 11 de outubro de 2020

QUANDO O BEM ESTAR DO PRÓXIMO É A NOSSA FELICIDADE


📷 via Google

Ao começar a escrever este texto sinto e sei o que quero dizer, mas não sei qual a melhor forma de transmitir este estado de espírito, que acredito ser comum a pais pelos filhos e vice-versa, a amores verdadeiros que nem quando a morte os separa acabam e a tantos outros seres humanos que acreditam na fraternidade.
Na verdade, passamos uma grande parte da nossa vida a ouvir falar no amor próprio, que somos a pessoa mais importante da nossa vida e que só acreditando nessa realidade é que estamos preparados para sermos felizes.
Mas... e quando a nossa felicidade é o bem estar do próximo? Sim, porque o amor incondicional por um filho quer para ele o melhor da vida. Só assim serão os pais felizes. Sim, porque o amor por quem nos deu a vida e esteve e está sempre connosco nos bons e maus momentos, só se sente realizado e feliz se os progenitores estiverem bem e saudáveis. Sim, pois quem acredita na fraternidade como valor a seguir, apenas se sente preenchido quando o próximo sorri com um sorriso verdadeiro.
No fundo, é a maturidade emocional a falar mais alto, é o amor próprio constituído pela felicidade do outros, é a descentralização do ego.