Maio de 1969, manifestavam-se os estudantes.
Março de 2011 manisfestam-se as gerações à rasca, por outras palavras saem à rua avós, pais e filhos. Ou seja, fazem-se ouvir reformados, trabalhadores por conta de outrém, trabalhadores independentes, trabalhadores, que aparentemente independentes, mais não são que trabalhadores por conta de outrém (ai, como é que chamam a este mecanismo? ah, pois os falsos recibos verdes!) e estudantes.
O povo português sente-se revoltado e não são, apenas, tal como já li, os pais que abdicam de tudo para darem aos filhos uma vida sumptuosa e que os transformam em jovens sem capacidade de lutar contra as adversidades da vida. Não! Todos nos sentimos revoltados, os reformados vêem as suas pensões congeladas, muitas delas não ultrapassam os 200, 300,00 Euros mensais, os despedimentos são cada vez em maior número, as medidas laborais a aplicar são duras, os recibos verdes são precários, sempre foram, é difícil conseguir um empréstimo tendo por base estes últimos, os jovens vêem-se obrigados a emigrar, deixando para trás as suas raízes e a sua família, por isso os seus pais também choram. Só quem nunca emigrou ou não teve na família quem o fizesse para sustentar o agregado familiar é que encara o êxodo de Portugal de leve ânimo.
Note-se que uma coisa é ser cidadão do mundo e ir para os Estados Unidos da América trabalhar por que se quer, porque se vai aperfeiçoar em determinada área, outra bem diferente é ter de trabalhar na Alemanha, pois o ser humano tem o hábito de se alimentar e tem de alimentar a família, que por acaso também come e precisa de um lugar para morar.
Porém, é esta a realidade portuguesa, cada vez mais precária, cada vez mais áustera para a maioria das classes, cada vez mais dividida entre pobres e ricos!
Se mais nada conseguirmos fazer, pelo menos mostremo-nos indignadados e façamo-nos ouvir!