segunda-feira, 21 de setembro de 2020

DISTÂNCIA NÃO SIGNIFICA AUSÊNCIA, PORÉM AUSÊNCIA PRESSUPÕE SEMPRE DISTÂNCIA


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Distância não significa ausência, distância não significa que não estejamos presentes na vida daqueles para quem somos importantes e que o são para nós. A realidade é que podemos estar a quilómetros de alguém e, mesmo assim, estarmos presentes, partilhando emoções e experiências. Veja-se o exemplo de pessoas que emigram, mas que estão diariamente com os filhos, querendo saber como lhes correu o dia, como correm as aulas. As plataformas digitais permitem-nos isto e os telefones e telemóveis também. Regresse-se a Março e Abril deste ano e recorde-se a quantidade de pessoas que estiveram distantes umas das outras, e não me refiro ao distanciamento social que actualmente devemos adoptar como medida de protecção do COVID-19, mas nem por isso estiveram ausentes. Foram telefonemas para os familiares e amigos a saber se estava tudo bem, foram reuniões nas mais diversas plataformas. Enfim, podia-se e pode-se estar distante, mas não ausente.
Contudo, se distância não tem como significado ausência, esta última tem sempre como pressuposto uma distância que pode ser física, mas sobretudo uma distância emocional. A verdade, é que por vezes a distância física entre as pessoas é quase inexistente, todavia quase não existem na vida umas das outras, mesmo com laços de familiaridade. Falo de alienação parental, que tantos traumas causa nas crianças vítimas de tal comportamento por parte de pais ou mães, falo de familiares que nunca se preocuparam com outros familiares próximos e de quem se esperava um pouco mais, falo de pessoas que em certa altura das suas vidas partilharam momentos, mas que deixaram as circunstâncias da vida afastarem-nas. Em todas estas situações, voluntárias ou não, a ausência instalou-se e cristalizou-se fazendo estragos na sua maioria irrecuperáveis.
Sinceramente, vale a pena lutar contra a ausência, especialmente a emocional, pois se sobrevivemos ao confinamento, foi pela razão de termos quem é importante para nós à distância de um telefonema ou de um clique. Se sobrevivemos a outras ausências, distâncias emocionais é por termos outras presenças que, embora, não substituam aquelas, suavizam-nas e ensinam-nos a viver com elas, amadurecendo e acabando por afirmar, ainda que com mágoa "só faz falta quem cá está!" E, é pena que isto aconteça...
Por isso como costumo dizer, eu posso estar distante, mas nunca estou ausente!

Tânia

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