Em tempo de crise, nas quais expressões como poupança, menos consumo, fim ao supérfluo são palavras de ordem, não deixa de ser engraçado como uma revista conceituada do universo feminino deixa que as imagens de moda presentes nas suas páginas sejam a verdadeira contradição do artigo que lhes antecede.
Na realidade, o artigo, por si só não é novidade, mas é interessante, deixando-nos a pensar como Portugal evoluiu nas últimas duas décadas para um consumo supérfluo excessivo, largando na memória longínqua valores como o trabalho e a poupança. Porém, após várias linhas de leitura reflexiva, inspiradora e útil, pois são oferecidos alguns conselhos de como se pode poupar, eis que o artigo termina e o leitor vira a página... CHOCANTE! A patrir deste momento são-nos apresentadas imagens de vestuário, ou seja as páginas sobre o que está na moda, em que cada peça de roupa ascende a um valor superior aos 200,00 Euros! Ora, fiquei eu a pensar... para comprar uma peça destas tenho de poupar... para poupar tenho de consumir menos... para consumir menos tenho de extreminar tudo o que é supérfluo... logo não posso comprar uma peça de roupa daquelas! Isto porque, a sua compra é supérflua, não diminui o meu consumo e não me deixa poupar!
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